Conheça as 10 ações que pagam mais dividendos que a Selic

Entenda a atratividade das empresas que pagam dividendos com o corte da taxa básica de juros.


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Após a queda das taxas de juros, que tal começar a investir em pagadoras de dividendos?

Banco Central definiu no fim da tarde desta quarta-feira, (05/02), mais um corte na taxa Selic, na primeira reunião de 2020 do Comitê de Política Monetária (COPOM). Assim como previsto, o órgão reduziu o instrumento monetário em 0,25 ponto percentual, de 4,5% para 4,25%.

A equipe de economia da XP Investimentos permanece com a projeção de continuidade desses mesmos 4,25% a.a. até o 1º trimestre de 2021.

Com as taxas de juros rumando para as mínimas históricas, a maneira que o brasileiro investe também terá que mudar. Portanto, cada vez mais investidores terão que incorporar um componente de renda variável nas carteiras, sempre alinhado com seu perfil.

Contudo, sabemos que tal mudança não será fácil ou rápida para todos, uma vez que o ambiente de juros baixos é um fenômeno recente. Na nossa visão, um possível caminho são as ações que pagam elevados dividendos a acionistas.

Dessa forma, listamos dez ações na nossa cobertura para as quais estimamos um dividend yield* acima da SELIC nos próximos anos. Além disso, apresentamos o racional por trás das nossas estimativas.

A tabela abaixo visa informar quais ações hoje pagam dividendos acima da Selic, não sendo uma recomendação de compra em todas essas ações. Entenda nossas teses de investimento em cada uma dessas empresas abaixo.

Entenda mais sobre o tema:

O que são dividendos?

Dividendos são uma parte do lucro de uma determinada empresa que é distribuído aos seus acionistas.

De acordo com a Lei das S.A., as empresas de capital aberto têm que distribuir no mínimo 25% dos seus lucros a acionistas.

Tal lucro também pode ser distribuído na forma de Juros Sobre Capital Próprio (JCP). Esta é uma forma diferente de distribuir os lucros de uma empresa entre os seus acionistas.

Qual é a diferença entre dividendos e Juros sobre Capital Próprio?

O JCP é tributado em 15% pela Receita Federal na data do depósito, enquanto dividendos são isentos de tributação.

Como funciona a distribuição de dividendos?

Primeiro, o Conselho de Administração da companhia verifica se a empresa obteve lucro ao longo do exercício para distribuir uma parte aos acionistas.

Em afirmativo, a empresa deve deliberar sobre os dividendos a distribuir, e informar publicamente os valores e datas de pagamento.

A periodicidade de pagamento de dividendos varia de empresa para empresa, podendo ser mensal, trimestral ou anual.

O que é dividend yield?

O cálculo do dividend yield é feito com base na divisão do valor esperado em dividendos pelo preço das ações.

Entenda porque essas 10 empresas pagam elevados dividendos:

ISA CTEEP (TRPL4) – Neutro

Setor de atuação: transmissão de energia elétrica
O segmento de transmissão de energia é baseado em receitas fixas corrigidas pela inflação e margens elevadas, proporcionando um estável fluxo de dividendos. Além disso, a CTEEP recebe elevados fluxos de caixa como indenizações relacionadas a ativos não amortizados existentes até maio de 2000 (denominados RBSE).

Também notamos que a CTEEP tem, desde 2018, uma política de dividendos que prevê a distribuição de, no mínimo, 75% do lucro a acionistas, desde que o endividamento se mantenha sob controle. Dado que a CTEEP é uma companhia com poucas dívidas, não descartamos o pagamento de dividendos extraordinários no futuro. Estimamos um dividend yield de 8,0% em 2020-21.

Taesa (TAEE11) – Neutro

Setor de atuação: transmissão de energia elétrica
O segmento de transmissão de energia é baseado em receitas fixas corrigidas pela inflação e margens elevadas, proporcionando um estável fluxo de dividendos.

Além disso, a TAESA consegue aliar dividendos à busca continua por crescimento, seja pela participação em leilões de novas linhas, seja pela aquisição de projetos de outras empresas. Estimamos um dividend yield de 7,4% em 2020-21.

AES Tietê (TIET11) – Compra

Setor de atuação: geração de energia elétrica
O segmento de geração de energia possui margens elevadas e um certo grau de previsibilidade, dado que parte da receita já é contratada.

Assim sendo, a AES Tietê apresenta lucros consistentes, embora possa haver um certo grau de volatilidade dependendo da incidência de chuvas. A companhia tem a prática de distribuir 100% do lucro líquido a acionistas com periodicidade trimestral. Estimamos um dividend yield de 8,3% em 2020-21.

Cyrela (CYRE3) – Compra

Setor de Atuação: Construção Civil

A robusta geração de caixa da companhia alinhado com o processo em andamento de redimensionamento do seu balanço (redução do seu patrimônio líquido) deve continuar levando a Cyrela a distribuir robustos dividendos nos próximos anos. De acordo com nossas estimativas, a companhia deve distribuir um dividend yield de 7,1% em 2020

Engie (EGIE3) – Neutro

Setor de atuação: geração de energia elétrica
O segmento de geração de energia possuí margens elevadas e um certo grau de previsibilidade, dado que parte da receita já é contratada. Por este motivo, a Engie apresenta lucros consistentes, embora possa haver um certo grau de volatilidade dependendo da incidência de chuvas.

A Engie ainda se destaca pela capacidade diferenciada de se proteger dos efeitos de baixa incidência de chuvas, além de ter expandido sua atuação para os setores de transmissão de energia e transporte de gás. Estimamos um dividend yield de 7,2% em 2020-21.

Sanepar (SAPR11) – Compra

Setor de atuação: saneamento básico
A elevada distribuição de dividendos da Sanepar se deve à política de dividendos da companhia.

A política prevê a distribuição do dividendo mínimo de 25% do lucro, além de 25% adicionais caso a situação financeira da empresa o permita (o que acontece desde 2012). Estimamos um dividend yield de 6,6% entre 2020 e 2022.

Itaú (ITUB4) – Neutro

Setor de atuação: financeiro

As empresas do setor financeiro apresentam altos lucros e resiliência quanto à volatilidade econômica no Brasil.

Neste cenário, o Itaú se apresenta com um histórico recorrente de pagamento de dividendos. Com yield próximo a 5,7% para 2020 e tendo pago praticamente 90% dos lucros em dividendos em 2018.

Banco do Brasil (BBAS3) – Compra

Setor de atuação: financeiro

As empresas do setor financeiro apresentam altos lucros e resiliência quanto à volatilidade econômica no Brasil.

Dado que o banco é uma estatal e o fluxo de dividendos é importante para o governo também, vemos o banco bem posicionado para manter recorrência no pagamento de dividendos. Com yield próximo a 5,5% em 2020.

Gerdau (GGBR4) – Compra

Setor de atuação: siderurgia

A Gerdau, dentre as empresas siderúrgicas de nossa cobertura, tem como um de seus diferencias sua exposição geográfica diversificada, dado que a empresa possui operações relevantes fora do Brasil, com destaque para os Estados Unidos. Tal diversificação é positiva e permite à Gerdau um certo grau de consistência nos lucros e, consequentemente, na distribuição de dividendos aos acionistas.

A política de dividendos da empresa define o pagamento de proventos de, no mínimo, 30% do lucro líquido, com distribuições trimestrais. Estimamos um dividend yield de 4,8% em 2020.

Copasa (CSMG3) – Neutro

Setor de atuação: saneamento básico
A Copasa possui uma política de dividendos que prevê uma distribuição de no mínimo 25% e no máximo 50% do lucro como proventos. Além disso, há a possibilidade de distribuições extraordinárias caso certas condições de endividamento sejam cumpridas.

Com base em nossas estimativas, acreditamos que a Copasa deveria cumprir tais condições sem dificuldades, o que nos leva a estimar um potencial dividend yield extraordinário de até 9,9% para os próximos anos (não incorporado em nossas estimativas).

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