Vale (VALE3): Destaques do evento para analistas e investidores corroboram nossa recomendação de Compra

Participamos hoje do evento anual da Vale para Analistas & Investidores, na sede da empresa no Rio de Janeiro. Veja abaixo os destaques do evento.

access_time 02/10/2019 - 22:17
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Participamos do evento anual da Vale para Analistas & Investidores, na sede da empresa no Rio de Janeiro. A Vale reforçou sua forte posição como fornecedora de materiais de alta qualidade, enquanto as preocupações ambientais aumentam a necessidade de novas soluções e sofisticação de matéria-prima, levando a oportunidades para a empresa.

As discussões também incluíram o caminho para que os riscos da Vale sejam mitigados, com quatro principais passos: (1) Reparar os danos da tragédia de Brumadinho; (2) Garantir a segurança das barragens e a integridade dos ativos; (3) Estabilizar a produção e alavancar a competitividade; e (4) Sustentar uma sólida geração de caixa, que traz várias oportunidades para alocação de capital e a Vale vai continuar a analisar e explorar as opções de forma disciplinada. A empresa ressaltou que a alocação de capital depende do progresso da reparação dos danos da tragédia de Brumadinho e reconhecimento da sociedade (projetos de crescimento orgânico significativos ou aquisições menores estão fora dos planos).

Mantemos nossa recomendação de Compra para as ações da Vale. Na nossa visão, menores riscos adiante devem permitir que a Vale volte a negociar com base em fundamentos. Vemos as ações em um patamar muito atraente, negociando a 4x EV/EBITDA 2020, com um forte rendimento de geração de caixa de 12% no ano que vem.

Veja os principais destaques abaixo:

Mudanças climáticas: O que poderia ser um desafio, é, na verdade, uma oportunidade

Há algum tempo, os países ao redor do mundo têm tomado diferentes medidas visando reduzir as emissões de CO2. Na indústria de aço, o cenário não é diferente: As siderúrgicas são responsáveis por 9% das emissões globais de CO2.

Quando pensamos na China, ela responde por 48% da produção de aço, mas por 63% das emissões do setor. Após alguns anos vivendo “guerra de poluição”, a China decidiu tentar reverter esse cenário, e desde 2016, o país tem se dedicado ao fechamento de siderúrgicas poluentes.

Contudo, quase 80% dessas usinas são pequenas (<1.000 m3) e novas usinas ainda estão se movendo para diminuirem a poluição. Segundo a Vale, as preocupações ambientais levarão a uma maior sofisticação do consumo de matéria-prima, o que é uma oportunidade para a empresa.

E porque isso é uma oportunidade para a Vale?

Essas usinas exigem um material de melhor qualidade ou novas soluções que reduzam a emissão de CO2. De fato, a porcentagem de pelotas (material de alta qualidade feito a partir do minério de ferro) na mistura utilizada pelas siderúrgicas na China aumentou de 11% em 2015 para 14% em 2018 e deve subir para 19% em 2025, levando a uma necessidade de 50mt de pelotas.

Com isso, a Vale está desenvolvendo um novo produto (GF88 – pelotas do minério de Carajás) para fornecer às plantas de pelotização chinesas – com expectativa de atingir uma capacidade de 30Mtpy no médio prazo (~10Mtpy em 2019 e 20Mtpy em 2021 ou mais, se necessário, com um baixo investimento e custo operacional).

Tendo em vista a maior qualidade do novo produto da Vale, a empresa estima 27kg/t de diminuição de emissões de carbono. Colocando em perspectiva, se considerarmos a indústria siderúrgica no mundo, estamos falando de uma economia total de US$1,2 bilhão (US$3/t para o minério de ferro da Vale).  

Produtos metálicos: O próximo passo em termos de pureza química para as siderúrgicas

Quando falamos da produção de aço, destacam-se dois principais processos: alto forno de oxigênio (BOF, na sigla em inglês) e o forno de arco elétrico (EAF, na sigla em inglês). Com relação ao BOFs, o maior desafio que eles enfrentam são as restrições de CO2 e o fato de muitas plantas serem antigas. Quanto à utilização dos EAFs, a produção de aço via esse meio tem aumentado cada vez mais, mas a menor qualidade da sucata¹ compromete a qualidade do produto final.

Frente ao problema, a Vale tenta encontrar uma solução: tentar integrar-se verticalmente aos metálicos. Como a empresa se beneficia de ter: (1) o cliente, (2) o fornecimento de pelotas de alta qualidade e (3) o fornecimento de gás natural, o aumento da produção de metais (como gusa sólido², DRI³ e HBI4) pode ser a próxima etapa. O HBI4 da Vale, por exemplo, poderia ajudar as siderúrgicas que usam EAF a alcançar os requisitos de qualidade da produção de aço premium.

A Vale possui uma pequena planta industrial de 75Ktpy em São Paulo que confirmou a viabilidade econômica em 2018 e está na fase de engenharia de uma planta de 500Ktpy.

¹ Material de aço reciclado obtido na fabricação e no final da vida útil dos produtos

² Ferro fundido, tipicamente produto de altos fornos ou direct smelting, vendido como insumo para terceiros

³ Produto da redução direta de pelotas DR ou granulado com uso de CO e H2, tipicamente obtidos de gás natural ou carvão

4 O HBI é um DRI compactado aumentando a densidade, manuseio e facilitando o transporte

Reparação de Brumadinho: Os principais acordos civis e trabalhistas foram estabelecidos e a adesão está aumentando

(1) Indenização emergencial: >107 mil pessoas com remuneração mensal até janeiro de 2020 -> R$ 840 milhões pagos;

(2) Indenização individual / grupo: >500 contratos firmados e >1.100 beneficiários -> R$ 172 milhões pagos;

(3) Indenização trabalhista: >460 acordos assinados (182 vítimas) e >1.300 beneficiários -> R$ 432 milhões pagos a pessoas físicas e R$ 400 milhões pagos coletivamente.

Além disso, 25 acordos legais também foram assinados até o momento para cobrir outras frentes específicas. As provisões já incluem indenizações ainda não liquidadas. Provisões de US$ 4,5 bilhões – líquidas de fundos e garantias congeladas, que passaram de R$ 16,8 bilhões no 1T19 para R$ 11,3 bilhões atualmente.

Garantindo a segurança das barragens e a integridade dos ativos

A Vale está acelerando a descaracterização de suas barragens no Brasil. Já foram provisionados US$ 1,9 bilhão para descomissionar 9 barragens a montante e US$ 100 milhões para descomissionar outras pequenas estruturas.

Ademais, estruturas de contenção para aumentar a segurança das áreas das barragens também estão em construção.

Por fim, as linhas de defesa internas e externas melhoram a vigilância sobre o processo. A Vale destacou que o recém-criado Escritório Executivo de Segurança e Excelência Operacional é independente das Operações, o que é importante para garantir a segurança.

Retomada completa da produção deve acontecer até 2021

Do total da produção de minério de ferro da Vale interrompida após a tragédia de Brumadinho (90mt), a Vale retomou a produção de 30mt, com 60mt ainda paradas. Olhando para frente, a Vale espera retomar 5mt no segundo semestre de 2019, 30mt em 2020 e 25mt em 2021.

Fluxo de caixa 2019 | Estimativa da empresa

US$ bilhões

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