Panorama de Mercado XP: Bolsa em julho – O que você precisa saber para investir

O que você deve saber para investir na bolsa em julho de 2019

access_time 26/06/2019 - 12:06
format_align_left 8 minutos de leitura

“Ibovespa atinge a marca histórica dos 100 mil pontos e esse é só o começo”

Junho foi um mês positivo para o Ibovespa, com o índice ultrapassando a histórica marca dos 100 mil. Na nossa visão, isso é só o começo. Como temos destacado, acreditamos que estamos em meio a uma transformação no Brasil, e vemos a bolsa como o melhor ativo para se investir, com potencial de atingir 115 mil pontos até o final do ano, 140 mil até o final de 2020.

O Ibovespa negocia a 15% de desconto em relação ao seu múltiplo histórico olhando para 2020 – 10,5x Preço/Lucro vs. histórico de 12,3x – ou seja, está barato. Mais do que isso, acreditamos que em um Brasil após aprovação da reforma da previdência, o índice pode passar a negociar a prêmio em relação aos níveis históricos. 14,0x nos parece uma boa referência de um novo patamar, o que significaria que o índice está a 25% de desconto hoje.

Todos os olhos seguem voltados para a reforma da previdência. A votação do relatório final na Comissão Especial é esperada para o começo de julho, mas após recentes atrasos, a votação na plenária da Câmara deve ficar para após o recesso, ou seja, agosto. Isso pode trazer um pouco de volatilidade para julho. Entretanto, seguimos vendo a aprovação da reforma com uma economia de pelo menos R$700bi em 10 anos como o cenário base, o que sustenta a nossa tese estruturalmente positiva para a Bolsa.

1 – Atividade econômica segue em baixa e corte de juros condicionado à reforma

Na economia, os principais indicadores mostram que a recuperação segue lenta, mas a inflação se mantém em níveis confortáveis e o risco iminente de uma alta de preços não está no radar. A combinação do avanço na reforma da previdência com uma inflação contida permitiu que o foco do mercado mudasse de “a economia está desapontando em 2019” para “a atividade vai acelerar em 2020” e “os juros podem ser mais baixos do que estão hoje”.

No final de junho, o Banco Central manteve a Selic em 6,5%. Entretanto, o tom do seu comunicado mudou. Se de fato aprovarmos uma reforma da previdência abrangente, o que é o nosso cenário base, parece ter espaço para um corte de juros. Inclusive, o consenso de mercado para os juros no final de 2019 medido pelo Focus mudou de uma manutenção em 6,5% no fim de maio, para 5,75% hoje. Entretanto, não vemos um anúncio de corte na reunião de julho ainda, pois, na nossa visão, a reforma tem que sair da Câmara antes, o que deve acontecer somente em agosto.

2 – Reforma da Previdência em andamento

O cenário político evoluiu de maneira positiva em junho, com uma melhora na interlocução entre o Executivo e o Legislativo, mas ainda há desafios. A votação na comissão especial, que estava programada para o dia 27, foi adiada e deve ficar para o começo de julho. A votação na plenária da Câmara, momento mais aguardado pelo mercado, deve acontecer somente após o recesso.

Na nossa visão, quando a data dessa votação ficar clara, é muito provável que vejamos uma alta relevante da Bolsa, mas ainda há muitas incertezas antes do recesso de julho e esse movimento deve ficar para agosto, ou até setembro, a depender do clima político pós recesso.

3 – Mercados globais impulsionados por expectativas de cortes na taxa de juros

O mês de junho foi marcado por revisões de expectativas em relação à cortes de juros nas principais economias globais. O Banco Central americano, o Fed, manteve a taxa de juros dos EUA estável em 2,25-2,50%, mas mudou seu tom e sinalizou cortes futuros, trazendo otimismo aos mercados.

Do lado negativo, as tensões entre os EUA e a China seguiram elevadas. Entretanto, o Secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, declarou no último dia 26 que as negociações comerciais com a China já estão 90% concluídas.

O mês de junho acabará com o início das reuniões do G20, na qual o Trump se encontrará com o Presidente chinês. Todos os olhos estão voltados para o desfecho dessa reunião. Qualquer avanço rumo a um acordo comercial seria bem recebido pelo mercado.

4 – Carteira Top 10 ações XP

Os principais temas da nossa carteira Top 10 ações XP são:

(1) SELIC baixa por mais tempo do que está precificado (RENT, ENBR e CPLE) – vimos uma queda expressiva da curva de juros no último mês, mas ainda tem mais espaço e não foi totalmente refletido nas ações da Bolsa;

(2) Crescimento acelerando (BBDC, BBAS e GGBR) – acreditamos que esse tema deve começar a ganhar tração após reforma da previdência;

(3) Nomes de qualidade (LREN, RENT e AZUL) – protegem a carteira no curto prazo, mas também se beneficiam da retomada econômica adiante ;

(4) Cíclicos globais descontados (VALE e JBSS) – mas de forma seletiva, dadas as incertezas globais ainda elevadas.

Vemos potencial de valorização para as ações, baseado (i) no potencial ganho sustentado de margens para a frente, (ii) melhora no cenário macroeconômico, resultando em nível mais favorável de câmbio, (iii) ambiente racional de oferta e demanda, resultando em uma conjuntura benigna de precificação e (iv) múltiplos atrativos.

Acreditamos que há espaço para a redução do desconto que a Copel negocial em relação a pares devido a (1) iniciativas de redução de custos, (2) potenciais ganhos com a venda da Copel Telecom e (3) redução mais acelerada do endividamento com a maturidade dos investimentos realizados em geração.

Continuamos a ver sólidos resultados nos EUA e tendências mais fortes no Brasil, além de potencial reprecificação das ações com menores riscos de governança e possível listagem nos EUA. A empresa também está estrategicamente posicionada para capturar impactos positivos da peste suína africana.

Após provisionar a maior parte do passivo com a tragédia de Brumadinho, a Vale está focada em chegar a acordos com partes e autoridades

afetadas até 2019 ou início de 2020. O acordo colocaria um fim às incertezas operacionais e legais remanescentes, permitindo que a empresa se concentre em seus negócios e que as ações sejam negociadas de volta aos fundamentos.

Esperamos que o banco do Brasil reduza a diferença de ROE ante pares privados devido a (1) foco em rentabilidade com o novo governo; (2) Recuperação macroeconômica contribuirá mais para a sua expansão de crédito versus pares e (3) Sólido crescimento de lucros em 2019-20, próximo ao topo da projeção do banco para 2019.

Acreditamos que a EDP negocia a um desconto injustificado em relação a seus pares devido a: (1) maiores retornos na construção de seus projetos de transmissão, (2) revisões tarifárias na EDP Espírito Santo e São Paulo e (3) um portfólio de ativos de geração que apresentam elevado potencial de geração de caixa

Apesar da consistente alta das ações, acreditamos que fatores como (i) maior capacidade de crescimento ante concorrentes, (ii) maior liberdade de precificação, (iii) momento macro/setorial favorável, com taxas de juros estruturalmente mais baixas, e (iv) uma execução de primeira linha justifiquem o prêmio que a empresa negocia em relação a pares.

Mantemos o Bradesco como favorito entre os bancos devido a (1) Maior apetite a risco declarado deverá resultar em crescimento da carteira de varejo; (2) Mais espaço para redução de despesas de provisões e (3) Múltiplos ainda com desconto, mesmo com a forte valorização recente, considerando crescimento de lucro projetados.

Vemos as ações negociando a desconto de 25% para Usiminas e CSN e 25% abaixo do que consideramos justo, com 11% de rendimento na geração de caixa em 2019-20. Embora mais uma história de 2020, esperamos que os resultados acelerem gradualmente, com um patamar das ações muito atrativo neste momento.

Vemos a Renner como um nome de qualidade que oferece proteção para a carteira em ambiente de volatilidade, com entrega sólida e consistente de crescimento. Acreditamos que os resultados no curto prazo, apesar da decepção com a atividade, devem se destacar em relação às demais varejistas e impulsionar as ações.

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