Coronavírus e os impactos da epidemia nos investimentos

O otimismo dos mercados em janeiro deu lugar à preocupação com o coronavírus no final deste mês, devido ao receio quanto à desaceleração econômica, não apenas na China como no mundo.

access_time 28/01/2020 - 11:22
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Segundo a Comissão Nacional de Saúde da China, a capacidade de disseminação do coronavírus está ficando mais forte e as infecções podem continuar a aumentar. Já são mais de 4.500 pessoas contaminadas globalmente, sendo que cerca de 100 foram mortas pela doença na China.

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O país asiático, inclusive, anunciou que estenderá o feriado do Ano Novo Lunar por três dias, até 2 de fevereiro, e as escolas retornarão do intervalo mais tarde do que o habitual. O governo de Hong Kong também afirmou que proibirá a entrada na ilha de pessoas que visitaram a província de Hubei nos últimos 14 dias.

Por que os investidores se preocupam com o coronavírus?

A grande preocupação do mercado é o potencial impacto econômico negativo que a disseminação do coronavírus pode causar, a depender de sua magnitude. Por exemplo: restrições de viagens foram impostas em cerca de 20 cidades na China; foram interrompidas também algumas linhas de ônibus de longa distância e certos trens de alta velocidade.

A título de referência, esses eventos geraram uma queda de 42% (versus 2018) no número de passageiros do sistema rodoviário no primeiro dia das festividades do ano novo, que é uma época de grande movimento para a economia chinesa.

Sobre uma potencial vacina, várias empresas, incluindo Moderna, Novavax e Inovio, anunciaram planos preliminares de desenvolvimento, mas nenhuma forneceu prazos previstos para levar as vacinas ao mercado. Historicamente trata-se de um processo árduo: a vacina contra o Ebola levou 20 anos para ser feita. Daí as medidas das autoridades para controlar a disseminação da doença serem tão importantes.

Já vimos uma situação semelhante antes: o surto de SARS, em 2003

O SARS foi uma síndrome respiratória aguda que assolou o mundo entre 2003 e 2004. Foram mais de 8 mil casos confirmados e 774 mortes registradas. Em comparação com o coronavírus, temos, até agora, 4.515 casos, mas apenas 106 mortes – 2,3% de mortes, contra 11% do SARS. De fato, segundo especialistas, o coronavírus é mais contagioso, mas menos fatal que o SARS.

Na época do SARS, na China, o crescimento de vendas do varejo caiu pela metade. O turismo no país também foi diretamente impactado, já que restrições de viagem foram impostas. Em suma: estima-se que o crescimento do PIB chinês diminui de 8% ao ano para 5% durante o período do surto de SARS.

Mais um ponto de atenção de 2003 é que a ruptura econômica terminou rapidamente assim que o surto foi controlado: o crescimento já havia retornado à taxa pré-SARS três meses após o pico da doença. Depois disso, a economia global ainda se beneficiou com a liberação da demanda reprimida.

Nos Estados Unidos, por exemplo, isso se refletiu na bolsa de valores local: entre janeiro e março de 2003, ainda no início do surto, o índice S&P se desvalorizou 11,5%. No entanto, logo em seguida, entre março e maio, ele se valorizou mais 16%, praticamente apagando as perdas causadas pelo SARS.

Como os mercados são impactados pelo coronavírus? E o Brasil?

Os maiores impactos até o momento foram nas ações dos setores de mineração e viagens, devido à queda dos preços dos metais e à decisão da China de suspender as vendas de pacotes turísticos na tentativa de conter o surto.

Vale destacar também que os chineses ganharam relevância no mercado internacional de luxo, sendo responsáveis por 33% dos gastos globais na categoria em 2018, segundo a consultoria Bain & Co. Grupos de luxo como Kering (Gucci, Yves Saint Laurent) e LVMH (Dior, Louis Vuitton) tornaram-se muito sensíveis à demanda chinesa, e vêm observando perdas nas bolsas recentemente.

No Brasil, o Ibovespa seguiu o movimento global, acumulando queda de 1% desde o início do surto da doença, no último dia de 2019. Caso os impactos do surto se prolonguem no médio prazo, poderemos continuar vendo pressão nos preços de ações brasileiras ligadas à demanda chinesa, como empresas de commodities (Suzano, Vale), frigoríficos exportadores (JBS, Marfrig), além de companhias aéreas e de turismo (Gol, Azul, CVC).

Como aloco meu dinheiro nessa situação?

Na nossa visão, a bolsa brasileira (e as internacionais) ainda poder sofrer com pressão no curto prazo, à medida que a visibilidade sobre a doença permanece incerta. Apesar disso, esforços de contenção da doença já acalmaram os mercado, de certa forma.

Por outro lado, notamos que o surto tem pouca ou nenhum impacto no fundamento de outras ações que caíram nos últimos dias, principalmente devido à maior aversão a risco de investidores. Portanto, isso poderia representar uma janela de oportunidade para comprar algumas ações de qualidade com um preço melhor, assim como ocorreu durante outros surtos no passado como o de SARS.

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No médio-longo prazo, mantemos nossa visão estrutural positiva para o Ibovespa, e aproveitamos para reiterar a importância de uma carteira diversificada. Nas carteiras recomendas, selecionamos os ativos por meio de uma construção robusta e diversificada.

Os ativos em dólar estão performando bem, e a renda fixa global se beneficia de um cenário de menor crescimento externo. Também podemos destacar que as classes de inflação e pré-fixada estão sendo favorecidas por um Brasil que cresce menos.

Para os fundos de ação e multimercados, acreditamos no posicionamento dos gestores, ou seja, os ajustes de risco serão feitos de maneira mais tática, buscando oportunidades e proteções em períodos curtos de tempo

A conclusão, no curto prazo, é que o investidor deve ter extrema cautela para cortar ou adicionar risco em sua carteira. Vamos continuar mapeando para ver se surge alguma oportunidade ou se o comprometimento do crescimento chinês é tal que justifique uma ação corretiva nos portfolios.

Abaixo, temos a performance por classe de ativos conforme o perfil de investidor, até 27/01.

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